Sempre, em algum momento de nossas vidas, chega a má e devastadora síndrome do vazio. É uma espécie de doença produzida pelo ser humano, onde o maior culpado e destruidor somos nós mesmos. O vazio começa como um ligeiro mal estar, sem prazer pela vida. Ainda tendo saúde, dinheiro, amigos, família, felicidade, sucesso, trabalho, pode-se atravessar um vazio interno que pode, em certas ocasiões, ser mortal!
Nada nos alegra... o pior de tudo é quando se descobre o enorme eco dentro da gente, aterrorizante e cheio de solidão. Nesse instante, na hora da grande decisão, é como se jogássemos tudo apostando em uma nova vida. Esse foi meu caso. A monotonia, a busca incansável do amor e a morte de meus entes queridos, entre outras coisas, deram como resultado a perda de minha tranquilidade e estabilidade.
Com o passar do tempo, cheguei ao fundo do meu próprio ser, prisioneira até então do mundo material e irreal. Um mundo em que, para os demais, não valemos pelo que somos, e sim pelo que temos.
Não perguntam ‘quem é’, mas sim ‘quanto vale’. Ai é quando nosso espírito se guarda em um lugar mais íntimo e obscuro de cada ser, deixando um espaço livre para o ser que cada um tem. Este ser, que é conquistador do sexo oposto, esse ser que em geral fala do mundo e de todos, sempre com a finalidade de tirar vantagem. Esse ser que é visceral e destrutivo, que não se sacia de festas, bares e discotecas. Esse ser que está completamente perdido, sem espírito.
Porém, onde o perdi? Onde o deixei? Possivelmente se afastou de mim, ou simplesmente desapareceu. A essa altura, a maior dúvida é ‘onde encontra-lo’. A busca foi difícil, encontrei todo tipo de pessoas, de costumes, de crenças. Por exemplo: os videntes, pessoas que lêem cartas, escutei muito sobre deuses, energias, sobre karmas que vamos carregando, reencarnações, ÓVNIS! Sobre núcleos de pessoas otimistas, sobre instituições famosas no mundo inteiro, que só tiram e tiram dinheiro; sobre a Índia, e a yoga, a meditação transcendental; sobre pirâmides e o famoso Eu! E não encontrava! Finalmente, depois de tanto tempo e tantas pessoas conhecidas em minha vida, uma noite falei com Ele.
Ele, quem sempre está quando necessitamos, ou quando temos problemas; o divino que se chama Deus. Abri meu coração! Pedi que, por favor, me desse a oportunidade de voltar a nascer. De ser uma nova pessoa, cheia de amor e de força para seguir adiante nessa difícil batalha. Um novo ser, cheio de paz e de tranqüilidade. Pedi a Ele que me fizesse conhecer a seu filho Jesus (de quem sabia pouco), e que tirasse esse eco que tinha dentro de mim. Que me ajudasse a encontrar meu espírito, e ser totalmente fiel a Ele. Apaguei as luzes e dormi, e a maior e mais bonita surpresa de minha vida foi meu DESPERTAR.
Renascer de minha escuridão e ser um novo ser disposto a amar, a lutar pela vida, a combater contra o vento e o mar, com vontade de seguir sentindo a plenitude que transborda em cada célula de meu ser, por meu olhar, minhas palavras, por minhas ações, pela luz que havia em mim. Tive a grande oportunidade de começar de novo e esquecer tudo que fiz de mal.
Graças a essa grande experiência que tive com meu Pai Deus, ao pedir-lhe que entrasse em minha vida de novo, e que me guiasse passo a passo, posso afirmar hoje, amanhã e sempre que nunca mais estarei só, que nunca mais estarei triste, e que tudo o que tenho e o que sou e serei, eu devo a Ele.
México, DF – 17 de março de 1995
Thalía
sexta-feira, 24 de abril de 2009
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário